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Porque é que temos dentes do siso e porque é que eles dão tantas chatices?

Criado em Junho 10, 2016

Herança dos nossos ancestrais, os dentes do siso ou terceiros molares, também designados na gíria de “dentes do juízo” ou “queixais”, são os últimos a erupcionar – entre os 16 e 21 anos – , posicionando-se na parte final da arcada dentária.

Os terceiros molares podem encontrar-se erupcionados na arcada, semi-inclusos, inclusos ou simplesmente pode verificar-se agenésia, ou seja, a não formação do dente. Os dentes erupcionados são aqueles cuja coroa se encontra totalmente visível na arcada dentária; os semi-inclusos iniciaram a sua erupção mas algo os impede de a completar; os inclusos encontram-se retidos, quer no osso maxilar quer no osso mandibular, rodeados do seu saco pericoronário e com o seu leito ósseo intacto.

A incidência dos dentes inclusos é muito acentuada na população, tendo valores entre 25 a 40%, com maior prevalência dos terceiros molares. A que se deve este elevado valor de inclusão dentária destes dentes? Muitos factores, isolados ou em convergência, induzem esta situação. Na prática, os sisos não têm qualquer utilidade, são órgãos vestigiais, uma lembrança da arcada dentária do homem pré-histórico. Desde esta época remota até aos dias de hoje, a evolução do Homo Sapiens Sapiens caracteriza-se por um crecimento da caixa craniana em detrimento dos maxilares provocando a diminuição de espaço para a erupção dentária (o rosto é menos alongado e as arcadas diminuiram gradualmente), a dieta é menos exigente para o aparelho estomatognático (com o uso da mão, os alimentos começaram a ser divididos e ingeridos em pequenas porções). Nos últimos anos, a consciência da necessidade e prática, ainda que insuficiente, de uma Medicina Dentária Preventiva, permite que o indivíduo chegue à idade adulta sem perda prematura de dentes definitivos, provocando que, com todos os dentes na arcada, haja falta de espaço para a normal erupção dos terceiros molares, entre outros.

Os terceiros molares inclusos podem originar uma série de complicações de índole geral ou local: doença periodontal, cáries, pericoronarite (processo infeccioso dos tecidos moles que rodeiam a coroa dos dentes semi-inclusos), reabsorção das raízes dos dentes adjacentes, dor oro-facial, quistos e tumores, fractura da mandíbula, problemas para reabilitação ortodôntica e limitações à reabilitação protética. O tratamento destas complicações associadas à inclusão dentária dos terceiros molares, obriga, na maioria das suas situações clínicas, à cirurgia para sua extracção.

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O medo e ansiedade são inerentes ao conceito de Cirurgia e, aliados à fixação que o indivíduo tem na sua boca, seja pela importância do aparelho mastigatório, seja pelo sorriso, seja pela tal “Fase Oral” de Freud, temos então um verdadeiro sentimento de angústia e pavor da Cirurgia Oral. São muitos os doentes que vêm à nossa consulta apavorados, influenciados por histórias que ouviu da mãe, vizinha, namorado que já extrairam sisos inclusos e que “…teve dor horríveis, a cara inchou muito e não conseguia abrir a boca durante 15 dias!”. Por isso é natural que se adie ao máximo uma intervenção cirúrgica, deixando que a situação chegue a um ponto insustentável, quando as consequências são piores que a cirurgia em si.

Dismistificando a Cirurgia dos dentes inclusos, consiste num procedimento cirúrgico executado em Consultório Dentário, sob anestesia local, sustentado por exames complementares de diagnóstico (orotpantomografia, rx intraorais, eventualmente TAC e, quando necessário, outros como um Hemograma) onde o conhecimento técnico e anatómico do Médico Dentista, aliado ao avanço dos materiais utilizados e utilização de terapêutica profilática anti-inflamatória e antibiótica, o torna mais seguro, com maior conforto para os doentes e com um pós-operatório indolor e sem edema.

No Centro Médico e Dentário da Avenida seguimos um protocolo cirúrgico com um planeamento da situação clínica escrupoloso e sustentado, com uma abordagem cirúrgica muito rigída baseada nas técnicas descritas e em conhecimento anatómico profundo, por forma a proporcionar ao doente maior comodidade durante a intervenção cirúrgica e pós-operatório sem complicações. Recomendamos ainda visitas periódicas ao Médico Dentista para evitar e prevenir as complicações que a inclusão dos terceiros molares pode originar.